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O padrão que se repete desde 1973 é o da busca que para numa posição agitada: um xeque no ar, uma peça atacada, uma captura pendente. Avaliar o tabuleiro nesse instante é como fotografar uma briga com o soco ainda no ar. A primeira resposta dos programadores foi a busca de quietude (do inglês quiescence search, o cálculo que continua só enquanto há capturas e xeques pendentes). Quando o limite chega e a posição ainda ferve, o programa segue calculando esses lances até tudo se acalmar. A segunda foi a extensão de xeque, em que o programa ganha um meio-lance extra sempre que um rei é atacado. Com ela, o truque de 1.d5+ deixa de empurrar a perda para longe, porque o próprio xeque alonga a busca. Berliner levou a lição para o próprio programa, o HiTech, construído na Carnegie Mellon com seus alunos. Em 1988, o HiTech venceu o grande mestre Arnold Denker num match de exibição, o primeiro programa a derrotar um grande mestre num match. |
O horizonte não some com mais força de cálculo: ele só se afasta, e o erro passa a acontecer num meio-lance mais distante.
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ONDE O HORIZONTE APARECE NO TABULEIRO 1. Uma peça presa na beira do tabuleiro, com o rei adversário a dois lances dela. 2. Peões passados (sem peão adversário à frente nem nas colunas vizinhas) que coroam no tempo que o rei gasta indo buscar a peça. 3. Um xeque disponível que adia a ameaça sem mudar a casa para onde o rei atacante quer ir. A busca de quietude resolve o xeque, mas não resolve o peão que corre. Na posição de hoje o lance decisivo, 3.e6, é um avanço calmo de peão, sem captura e sem xeque, e escapa de qualquer filtro que só olhe para lances violentos. Só a profundidade o encontra. Os programas modernos calculam dezenas de meios-lances e mesmo assim têm horizonte. Ele apenas mora mais longe, em finais de muitos lances e fortalezas em que nenhum lado consegue avançar. O jogador humano tem um horizonte bem mais curto, e ele encolhe com o cansaço e com o relógio. A defesa é a mesma que Berliner propôs para as máquinas: não parar de calcular numa posição em que ainda há ameaça no ar. O treino cabe numa sessão curta. Monte a posição, jogue 1.d5+ contra um programa forte e anote quantos peões as brancas perdem até o lance 5. Depois jogue 1.Rf2 e veja se as pretas se arriscam a tomar o bispo. Na sua última partida, você deu um xeque só para não ver uma peça cair? Monte a posição do dia e confira no tabuleiro: • a casa para onde vai o rei branco no primeiro lance; • quantos peões as brancas perdem depois de 1.d5+; • o lance de peão que pune 2...Rxa7.
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