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A segunda partida do match de 1997 opôs o Deep Blue, da IBM, com as brancas, a Garry Kasparov, campeão mundial desde 1985, com as pretas. Depois de 44 lances, a máquina tinha mais espaço, e as peças pretas estavam amarradas à defesa. O lance 45 das brancas foi 45.Ta6 (T é a torre, e o número com ponto indica lance das brancas). A torre entrava pela sexta fileira e atacava a dama preta de b6, e a dama branca de c6 já mirava o bispo preto de d6, que segurava a posição. Kasparov abandonou ali. Para ele, a torre em a6 e a dama branca juntas iam ganhar material, e as pretas ficariam sem contra-ataque. O que ele não viu foi 45...De3 (D é a dama, e os três pontos indicam lance das pretas). A dama preta saltava para perto do rei branco, que tinha pouca proteção de peões em volta. |
O rei branco não tinha esconderijo: a dama preta podia dar xeque de casas diferentes sem parar, e as brancas não conseguiam colocar uma peça no caminho sem perder outra.
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Os analistas que reviram a partida nos dias seguintes mostraram a ideia em três momentos, e cada um se confere montando o tabuleiro: 1. A ameaça. Com a dama em e3, as pretas ameaçam xeque imediato, e as brancas precisam escolher entre capturar o bispo de d6 ou cuidar do próprio rei. 2. A captura. Se a dama branca toma em d6, a torre preta ocupa a coluna e, e a dama preta fica livre para começar os xeques. 3. A repetição. Os xeques se alternam, o rei branco vai e volta entre as poucas casas que tem e a posição se repete. Pela regra da tripla repetição (a mesma posição três vezes, com o mesmo jogador a mover), a partida termina empatada. Ao ver a análise, Kasparov soube que tinha abandonado uma partida empatada. Ele contou no livro Deep Thinking, de 2017, que a descoberta pesou sobre ele no resto do match. O motivo do abandono foi confiança no adversário. Kasparov concluiu que, se a máquina tinha jogado tão bem até ali, ela também teria calculado a defesa contra a dama em e3. Ele não conferiu a linha por conta própria. O Deep Blue, por sua vez, não tinha visto o perpétuo como ameaça grave, e a avaliação dele mostrava vantagem branca. A máquina também errou, mas o erro dela nunca chegou ao tabuleiro, porque o humano desistiu primeiro. A posição final ficou como prova de um detalhe que todo jogador conhece: o material a menos e o espaço a menos não decidem a partida sozinhos. O que decide é o lance que o defensor encontra ou deixa de encontrar no momento crítico.
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