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O recapture em d5 que arrasta o rei preto até e6
Na Defesa dos Dois Cavalos, retomar o peão com o cavalo convida o sacrifício em f7; o cavalo para a5 é a saída que poucos jogam.
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Dois Cavalos após 5...Cxd5, cavalo branco em g5
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U ma em 36. Essa é a chance de um chute cego acertar a resposta do preto no quinto lance da Defesa dos Dois Cavalos: contadas uma a uma no tabuleiro, a posição depois de 5.exd5 oferece trinta e seis jogadas legais ao lado preto. Quem está sentado ali não chuta, escolhe. E a escolha mais comum entre amadores, retomar o peão com o cavalo de f6, é justamente a que põe o próprio rei na rua. A abertura chega nesse ponto depressa. Peão e4 contra peão e5, cavalo f3 atacando e5, cavalo c6 defendendo, bispo c4 apontando para f7, cavalo f6 contra-atacando o peão de e4, cavalo g5 caindo sobre f7, peão d5 do preto tapando a diagonal do bispo, peão branco comendo em d5. Nove meios-lances, e a partida já está num precipício. Os mestres italianos batizaram o que vem depois de fegatello, palavra que quer dizer fígado frito, em referência ao rei preto que sai da toca e assa no meio do tabuleiro. O apelido pegou porque descreve o método: o branco não ganha peça nenhuma, ganha o passeio forçado do rei adversário por casas que ele nunca quis visitar. A engrenagem tem duas peças brancas apontadas para a mesma casa. O bispo de c4 mira f7 pela diagonal a2 a g8. O cavalo de g5 mira f7 pelo salto. Quando o cavalo preto sai de f6 para d5, some o defensor do peão de f7 e some a peça que tapava o xeque na diagonal, tudo no mesmo lance. O preço do sacrifício é um cavalo inteiro, e o branco recebe em troca um rei preto em e6 no lance sete, com as duas torres pretas ainda nos cantos e o bispo de f8 sem ter jogado. O que decide partidas de clube não é a avaliação teórica dessa posição, e sim o relógio de quem precisa defender um rei no centro sem ter estudado a linha. A seção seguinte monta o diagrama casa por casa e mostra por que f7, e nenhuma outra casa do arranjo inicial preto, aguenta tão pouca pressão. Continue lendo ↓
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I A Posição do Dia
Trinta e seis lances e um convite em f7
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Giulio Cesare Polerio, enxadrista italiano nascido por volta de 1548 e morto por volta de 1612, deixou manuscritos com as linhas centrais desta abertura, e é dele a saída que resolve o problema do preto: o cavalo de c6 para a5, atacando o bispo de c4 em vez de retomar o peão. Giambattista Lolli publicou seu tratamento da posição em Osservazioni teorico-pratiche sopra il giuoco degli scacchi, de 1763, e a linha em que o branco avança d4 no lugar de sacrificar leva o sobrenome dele.
O diagrama aparece depois de nove meios-lances: 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Cf6 4.Cg5 d5 5.exd5. O peão branco que estava em e4 agora ocupa d5, o cavalo branco segue em g5, o bispo branco segue em c4, e o preto tem que decidir o que fazer com o peão perdido. A fragilidade de f7 é aritmética, e vale conferir na posição inicial de qualquer partida. Essa casa recebe a proteção de uma peça só, o rei em e8. As outras sete casas de peão do preto contam com torre, cavalo, bispo ou dama atrás delas. Por simetria, f2 sofre do mesmo defeito do lado branco. |
Tire o cavalo de g5 do tabuleiro e 5...Cxd5 vira um lance bom: o cavalo preto fica centralizado, ganha tempo sobre peças brancas em várias continuações, e a abertura termina equilibrada. É a presença do cavalo em g5, mirando f7 ao lado do bispo de c4, que transforma a retomada natural num erro caro.
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Repare no serviço que o peão de d5 prestava antes de ser capturado. O lance 4...d5 é a resposta correta ao ataque em f7: ele entope a diagonal a2 a g8 e tira o bispo branco do alvo. Quando o preto recaptura em d5 com o cavalo, o peão some da casa que bloqueava, a diagonal reabre, e o bispo volta a olhar f7 por cima do ombro do cavalo. O cavalo de g5 também acumula duas funções nesse instante, e nenhuma outra casa do tabuleiro daria as duas. De g5 ele ataca f7 e sustenta o xeque que vem depois em f3, porque o rei arrastado para f7 fica na coluna onde a dama branca entra com tempo. De e5 ou de h3 o cavalo não toca f7. De f3 ele atrapalha a própria dama. Monte as peças e teste as trocas na sua casa. Cavalo branco em e5 no lugar de g5: 5...Cxd5 vira jogada normal e ninguém sacrifica nada. Bispo branco em d3 no lugar de c4: a diagonal que mira f7 some e o cavalo de g5 come um peão sozinho, sem ataque.
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II O Erro Mais Jogado
O peão de d5 comido com o cavalo
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O erro mais jogado nesta abertura é retomar o peão com 5...Cxd5: o branco responde 6.Cxf7, o rei preto é praticamente obrigado a capturar o cavalo, e 7.Df3+ empurra esse rei para e6, onde ele passa a defender o cavalo de d5 no meio do tabuleiro enquanto as peças pretas seguem paradas em casa.
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A captura em f7 não é gentileza nem chute. O cavalo branco que pousa lá ataca a dama preta de d8 e a torre de h8 ao mesmo tempo. Recusar o sacrifício custa qualidade ou dama, então o rei come, e ao comer ele próprio se planta numa casa sem defesa nenhuma. O xeque em f3 vem com dois alvos numa tacada. Ele bate no rei pela coluna f e mira o cavalo preto de d5, que já estava atacado pelo bispo de c4. Por isso o rei sobe para e6: das casas disponíveis, é a única que segura o cavalo. Largar o cavalo devolveria o material e deixaria o preto com o rei exposto e sem compensação. O branco continua com 8.Cc3, trazendo a última peça menor para brigar por d5, e a posição vira um cerco. Os manuais modernos reconhecem que o preto resiste com defesa exata, devolvendo material na hora certa e trazendo o rei para casa a pé. O detalhe prático é outro: quase ninguém acha essa defesa no relógio sem estudo prévio. COMO ESCAPAR DO FÍGADO FRITO NO QUINTO LANCE 1. Jogue 5...Ca5, a saída de Polerio. O cavalo ataca o bispo de c4 e ignora o peão de d5. O branco costuma responder 6.Bb5+ c6 7.dxc6 bxc6, e o preto entrega um peão em troca de desenvolvimento, centro aberto e um rei que continua em casa. É a linha mais jogada em nível de mestre. 2. Conheça as duas alternativas afiadas. 5...Cd4, a variante Fritz, atrasa a recaptura e mira c2 e f3. 5...b5, a variante Ulvestad, empurra o bispo de c4 com ganho de tempo. As duas punem quem decora meia linha. 3. Do lado branco, decida antes se você quer sacrificar. 6.d4, o tratamento de Lolli, abre o centro sem entregar peça e deixa a posição rica com material igual. Quem não conhece a sequência até o oitavo lance ganha mais com d4 do que com o cavalo em f7. Existe um detalhe de tempo que decide partidas rápidas. O sacrifício em f7 precisa sair no lance imediatamente seguinte à recaptura do cavalo preto em d5. Um lance intermediário qualquer dá ao preto a chance de jogar Ce7 ou Be6, e o alvo endurece. O antídoto cabe numa ordem fixa, decorada em casa e não no tabuleiro. Ao ver 4.Cg5, jogue d5. Ao ver 5.exd5, mande o cavalo de c6 para a5 e conte o peão como gasto de abertura. Quem inverte essa ordem entrega o rei e passa vinte lances tentando trazer ele de volta.
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