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O quadrado que decide se o rei chega a tempo
Em vez de contar quatro lances um a um, desenhe o quadrado da casa do peão até a coroação e veja num relance se o rei entra nele.
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Peão em b4, quadrado até f8, brancas jogam
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A cena se repete em toda sala de torneio quando os relógios entram nos segundos finais. Sobra um peão passado de um lado, um rei solitário do outro, e o jogador começa a contar nos dedos por baixo da mesa: um lance, dois lances, três, quatro. No meio da contagem ele perde a linha, recomeça, olha o relógio, recomeça de novo. A posição tinha uma resposta única e imediata, e o que consumiu o tempo foi a aritmética, não a decisão.
Existe uma régua geométrica que dispensa a contagem inteira. Ela troca quatro operações de soma por uma imagem: o quadrado que tem como lado a distância entre a casa do peão e a casa de promoção. Se o rei que persegue consegue pisar dentro desse quadrado quando chegar a vez dele de jogar, ele alcança o peão. Se não consegue, o peão coroa e a partida acabou.
O motivo de funcionar está na velocidade do rei. Ele percorre uma diagonal na mesma quantidade de lances que percorre uma coluna ou uma fileira: quatro casas na diagonal custam quatro lances, exatamente como quatro casas em linha reta. Essa propriedade transforma a corrida entre rei e peão numa comparação de lados de um quadrado, e a comparação o olho faz sozinho, sem palavra e sem número.
A régua tem duas condições que o jogador precisa checar antes de confiar nela. A primeira é o caminho: se alguma peça bloqueia a coluna do peão ou tira uma casa do rei perseguidor, a geometria deixa de valer e a posição volta a exigir cálculo concreto. A segunda é de quem é a vez, e a vez muda tudo, porque o peão que avança encolhe o próprio quadrado antes de o rei conseguir entrar nele.
A posição de hoje isola a régua no estado mais limpo possível: três peças no tabuleiro, um peão em b4, e um rei preto parado bem na fronteira do quadrado, com o branco na vez de jogar.
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I A Posição do Dia
O quadrado de b4 até f8
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O diagrama tem três peças. Peão branco em b4, rei branco em h1, rei preto em f6. O branco joga. Não há xeques, não há peças a trocar, e todo o resultado da partida cabe numa comparação de distâncias.
O peão em b4 precisa de quatro lances para coroar: b5, b6, b7 e b8. Quatro casas é o lado do quadrado. Desenhe mentalmente a partir da casa do peão: da coluna b até a coluna f, e da quarta fileira até a oitava. O resultado é a região que vai de b4 a f8, com f4 e b8 fechando os outros dois cantos.
O rei branco em h1 é irrelevante para a corrida. Ele está longe demais para escoltar o peão, e a posição inteira se decide entre o peão que corre sozinho e o rei que persegue.
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O rei preto em f6 está dentro do quadrado, e estar dentro já basta. Ele não precisa alcançar o peão em b4, precisa apenas chegar à coluna b antes ou junto com a coroação.
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A corrida confirma o desenho. 1.b5 Ke6 2.b6 Kd7 3.b7 Kc7, e o peão chega à oitava fileira sob a vigilância do rei preto. A dama nasce e morre no mesmo lance: 4.b8=D+ Kxb8. Restam dois reis, e a partida termina empatada.
O detalhe que costuma passar batido é que o rei preto nunca andou em direção ao peão em linha reta. Ele caminhou na diagonal, e cada lance dessa diagonal fez duas coisas ao mesmo tempo: aproximou o rei da coluna b e o aproximou da oitava fileira. A diagonal é o motivo de a régua existir, porque nela o rei avança em dois eixos pelo preço de um lance.
Mude uma única casa e a resposta se inverte. Coloque o rei preto em g6, uma casa mais à direita, com o branco na vez de jogar. Depois de 1.b5 o quadrado encolhe para o intervalo de b5 a e8, e o rei preto em g6 precisaria de duas colunas para entrar nele, quando só tem uma vez de jogar. O peão coroa com um lance de sobra e a partida está ganha.
A distância entre a posição empatada e a posição perdida é exatamente uma casa, e nenhuma contagem de lances mostra essa casa mais rápido que o desenho do quadrado.
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II O Erro Mais Jogado
Contar o quadrado com o peão na segunda
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O erro mais jogado tem endereço fixo: aplicar a régua ao peão que ainda está na segunda fileira, esquecendo que dali ele anda duas casas de uma vez.
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Um peão branco em b2 parece estar a seis lances da coroação, e quem desenha o quadrado com lado seis produz uma região enorme, de b2 até f8, e conclui que o rei perseguidor chega com folga. Só que o peão em b2 não precisa de seis lances. Ele precisa de cinco, porque o primeiro avanço pode ser duplo.
A ORDEM QUE EVITA O ERRO
1. Localize a casa do peão. Se ele está na segunda fileira, conte o quadrado como se ele já estivesse na terceira. O lance duplo é direito dele e ninguém tem como impedir.
2. Cheque quem joga. O quadrado vale para a posição no momento em que o rei perseguidor tem a vez. Se o peão avança antes, redesenhe o quadrado a partir da casa nova, sempre menor.
3. Confirme que a coluna do peão está limpa e que nenhuma peça rouba uma casa do caminho do rei. Peça no meio do tabuleiro cancela a geometria e obriga o cálculo lance a lance.
Existe uma segunda versão do erro, mais silenciosa, e ela derruba jogador experiente. É desenhar o quadrado certo e esquecer que o rei perseguidor não pode atravessar as casas controladas pelo rei adversário. Um rei branco escoltando o peão de perto tira duas ou três casas da diagonal do rei preto, e a entrada no quadrado que parecia garantida vira um lance mais longa. A régua descreve uma corrida entre duas peças, e qualquer terceira peça no percurso muda a natureza da conta.
A terceira variação aparece com peões de torre. Um peão na coluna a ou na coluna h tem meio quadrado fora do tabuleiro, e a intuição visual de quem treinou a régua no centro dá resposta errada nas bordas. Nesse caso vale desenhar o quadrado com o dedo, casa por casa, uma vez só, e conferir onde ele encosta na borda.
O antídoto para as três versões é o mesmo e cabe num hábito. Antes de confiar na figura, faça três perguntas em sequência: de que casa o peão parte de verdade, de quem é a vez, e o caminho está livre. Quem responde às três em dois segundos passa a usar a régua como leitura instantânea. Quem pula qualquer uma delas transforma uma ferramenta de precisão num palpite com aparência de técnica.
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