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O peão que o branco devolve para não abrir a coluna a

No Gambito Benko, o lance 5.b6 entrega o peão de volta e tira do preto uma das 2 colunas que ele comprou no terceiro lance.

Diagrama: Gambito Benko com o peão branco em b6, lance 5.

Gambito Benko, posição depois de 5.b6

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Duas colunas em 8. É a fatia do tabuleiro que o preto compra com um peão no Gambito Benko, e quem joga de brancas convive com essa fatia da abertura até o final da partida.

O gambito (entrega voluntária de material em troca de tempo, espaço ou ataque) nasce em três lances: 1.d4 Cf6 2.c4 c5 3.d5 b5. Na notação, o número com ponto marca o lance das brancas, C é o cavalo e a casa vem em letra e número.

O peão de b5 fica pendurado. Se o branco toma com 4.cxb5, o preto responde 4...a6 (os três pontos marcam lance das pretas) e oferece mais um. Aceito o segundo, as colunas a e b ficam sem peão preto, e as torres pretas ganham duas avenidas apontadas para a2 e b2.

A abertura leva o sobrenome de Pal Benko, grande mestre nascido na França em 1928, criado na Hungria e radicado nos Estados Unidos. Ele levou a linha para torneios fortes nos anos 1960 e 1970 e publicou o livro The Benko Gambit (O Gambito Benko) em 1974. Na antiga União Soviética, a mesma linha circulava como Gambito do Volga.

Benko também ficou conhecido longe das aberturas. Em 1970, ele cedeu a própria vaga no Interzonal de Palma de Mallorca a Bobby Fischer, que seguiu por aquele caminho até o título mundial de 1972.

O atrativo do gambito para o preto é raro: a compensação não some quando as damas saem do tabuleiro. Num final só com torres e bispos, a pressão nas colunas abertas continua prendendo as peças brancas na defesa dos peões da ala da dama.

Por causa dessa pressão, muitos jogadores de brancas param e fazem uma conta antes do quinto lance. Ficar com o peão a mais custa uma partida inteira de defesa passiva. Devolver o peão custa só o peão.

A seção I monta a posição em que o branco escolhe devolver, com o lance 5.b6, e mostra o que ele ganha na troca.

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I  A Posição do Dia

O peão que volta em b6

A posição do dia sai de 1.d4 Cf6 2.c4 c5 3.d5 b5 4.cxb5 a6 5.b6. O branco aceita o primeiro peão e, no lance seguinte, empurra esse mesmo peão uma casa adiante, para uma casa onde o preto vai capturá-lo.

O peão de b6 não tem defesa. A dama preta pode tomá-lo com 5...Dxb6 (D é a dama), e o material volta ao empate: cada lado com sete peões.

O ganho do branco está no peão preto de a6. Ele fica parado na própria casa, sem ter sido trocado, e a coluna a continua fechada para a torre preta. Das duas colunas que o gambito prometia, o preto recebe uma só.

A coluna b também rende menos do que parece. A dama preta em b6 ocupa a casa por onde a torre passaria, e o branco desenvolve o cavalo para c3 e o outro para f3 sem gastar nenhum lance com a defesa de b2.

Devolver o peão em b6 troca uma vantagem material que exige defesa eterna por uma posição igual em que o branco não precisa defender nada.

O QUE O PRETO RECEBE EM TROCA

O preto não sai de mãos vazias. Fica com o peão de c5 contra o de d5, com a casa d6 livre para o peão central e com o bispo de f8 pronto para ir a g7 em fianchetto (o bispo desenvolvido na diagonal longa depois de avançar o peão do cavalo).

O que ele perde é o plano automático. No Benko aceito por inteiro, o preto coloca as torres em a8 e b8 e pressiona quase sem pensar. Com o peão de a6 ainda no tabuleiro, ele precisa achar outro alvo, e o branco ganha liberdade para jogar no centro com e4.

O branco tem outras formas de recusar a briga pelas colunas. O lance 5.e3 aceita devolver o peão mais tarde em troca de desenvolvimento rápido, e 5.f3 prepara e4 com o peão a mais ainda guardado. A devolução com 5.b6 é a mais direta: o peão volta no mesmo lance em que o preto esperava abrir a coluna a.

Benko conhecia cada uma dessas respostas por experiência própria. Ele usou o gambito com frequência no circuito americano, onde venceu o Aberto dos Estados Unidos oito vezes, e enfrentou as devoluções em partidas de torneio, não só em análise.

Para conferir no tabuleiro, monte os cinco lances e observe três casas: a6 com o peão preto parado, b6 com o peão branco que vai cair e a1 com a torre branca, protegida pela coluna fechada à frente dela.

 
 

II  O Erro Mais Jogado

Segurar o peão a qualquer preço

O erro mais jogado no Benko aceito vem do lado branco e tem cara de virtude: guardar o peão a mais e defender cada ameaça com uma peça nova. Na linha principal, 4.cxb5 a6 5.bxa6 Bxa6 6.Cc3 d6 7.e4 Bxf1 8.Rxf1, o branco fica com o peão, mas perde o roque, porque o rei já andou (B é o bispo e R é o rei).

O rei branco em f1 é o primeiro custo. Para tirá-lo do centro, o branco gasta lances com g3 e Rg2, um roque montado à mão, enquanto o preto termina o desenvolvimento e coloca as torres nas colunas abertas.

O segundo custo aparece nas casas a2 e b2. As torres pretas chegam a a8 e b8, o bispo de g7 mira b2 pela diagonal longa e a dama preta costuma ir a a5 ou b6. Para segurar tudo, o branco põe torre em b1, dama em c2 e cavalo em d2, peças que deixam de fazer qualquer outra tarefa.

O peão a mais do branco vale pouco se as torres dele gastam a partida defendendo a2 e b2.

O desvio nasce de uma conta incompleta. O jogador de brancas olha o placar de material, vê um peão a mais e conclui que basta trocar peças para ganhar o final. No Benko, a troca de peças costuma favorecer o lado que pressiona as colunas, e o final chega com os peões brancos de a e b ainda sob fogo.

TRÊS SINAIS DE QUE O PEÃO ESTÁ CARO DEMAIS

1. Duas peças brancas ou mais estão presas à defesa de a2 e b2.

2. O rei branco ainda está em f1 ou e1 depois do décimo lance.

3. O branco não tem avanço central, como e4-e5, para os próximos cinco lances.

Quando os três sinais aparecem juntos, a posição já está paga. O preto não precisa recuperar o peão para ficar melhor: basta continuar apertando enquanto o branco espera.

O treino para escapar do erro cabe numa sessão curta. Monte a linha principal até o oitavo lance, jogue os dez lances seguintes contra um programa que conduz as pretas e anote quantas peças brancas terminaram presas à defesa da ala da dama.

A devolução em b6 atrai o jogador prático justamente por evitar o desvio. Ele troca um peão que obriga a defender por uma posição em que as próprias peças continuam livres para jogar no centro.

 

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III  O Padrão que Se Repete

Colunas abertas que duram até o final

O padrão do Benko aparece toda vez que um lado entrega um peão da ala da dama para abrir colunas e mantém o bispo na diagonal longa. As torres dobradas nas colunas a e b, o bispo em g7 e a dama em a5 formam um trio que pressiona a2 e b2 ao mesmo tempo.

Diferente da maioria dos gambitos, a compensação não depende de ataque ao rei. Um gambito de ataque perde força quando as damas saem do tabuleiro. No Benko, a pressão pesa justamente no final, porque os peões brancos de a e b viram alvos fixos que o rei branco, longe da ala, não consegue proteger.

No Benko, trocar damas costuma ajudar o preto, porque a compensação mora nas colunas e não no ataque ao rei.

Benko entendia bem o terreno dos finais. Ele foi também compositor de problemas e estudos (posições criadas para ter uma única solução), e a abertura que leva o sobrenome dele ganhou fama por virar partidas nas últimas dezenas de lances.

O padrão tem um antídoto que também se repete. Sempre que o branco impede a abertura completa das colunas, como no 5.b6, ou troca as torres que ocupam as colunas, a pressão perde o alvo e o material volta a pesar na conta.

O jogador de pretas que escolhe o Benko precisa reconhecer a recusa na hora. Contra 5.b6, a resposta clássica é recuperar o peão com a dama, sem pressa, já que a coluna a não vai abrir sozinha e insistir nela só gasta lances.

Quem joga de brancas em outras aberturas com peão entregue na ala da dama pode usar a conta do Benko. Antes de aceitar, conte as colunas que o adversário ganha com a entrega. Se forem duas, com bispo na diagonal longa apontado para b2, a devolução rápida costuma sair barata.

A conta funciona nos dois sentidos. O jogador de pretas que entrega o peão e vê o branco devolver em b6 recebe um aviso claro: a partida virou uma abertura comum, e o plano das colunas precisa dar lugar a um plano de centro, com ...d6, ...e6 e o bispo em g7.

Na sua última partida com gambito, você devolveu o peão antes que as colunas abrissem?

Confira no tabuleiro, montando os cinco lances da posição do dia:

• a casa em que o peão preto da coluna a ficou parado;

• o lance da dama preta que recupera o peão;

• a coluna que continua fechada para a torre preta.

 
 

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Quiz da edição

No Gambito Benko, qual lance do branco devolve o peão no mesmo momento em que o preto esperava abrir a coluna a?

A5.e3
B5.f3
C5.b6
D5.bxa6

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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