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ED 033
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O peão de d4 vale um ataque e custa um final

Duas colunas abertas e a casa e5 com as peças no tabuleiro, um alvo parado depois das trocas: o mesmo peão em dois jogos diferentes.

Peão branco isolado em d4, cavalo branco em f3 pronto para e5, cavalo preto em f6 a caminho de d5.

Peão branco isolado em d4 e a casa e5 livre

 

U ma em doze. É a chance de sortear o peão de d4 entre os doze peões que ainda respiram na posição de hoje, e ele é o único dos doze que troca de dono do jogo sem sair da casa em que está. Para quem está sentado atrás das brancas, ele é motor no lance 20 e é peso morto no lance 40.

A configuração nasce de uma troca banal na abertura. Um peão branco de c ou de e captura em d4 e fica sem vizinho nas duas colunas laterais, o que significa que nenhum outro peão branco poderá defendê-lo pelo resto da partida. Toda defesa dele custa uma peça parada.

O que o peão devolve em troca é espaço e casas. Sem os vizinhos, as colunas c e e ficam abertas para as torres brancas, e o peão em d4 controla c5 e e5, duas casas centrais em que um cavalo branco pode se instalar sem ser expulso por peão nenhum, porque os peões pretos que fariam a expulsão já não existem naquele lado.

A conta que muda tudo é de peças no tabuleiro. Com dama, duas torres e duas peças menores de cada lado, quem tem o peão isolado ataca, porque as casas valem mais do que a fraqueza. Com torres e um bispo cada, o peão vira alvo que não anda, e o rei do adversário chega perto dele em quatro ou cinco lances sem ser incomodado.

Aron Nimzowitsch descreveu a dupla natureza da peça na Mein System, publicada em Berlim em 1925, e resumiu a receita da defesa em uma palavra: bloquear. Um cavalo preto plantado em d5, na casa imediatamente à frente do peão, tira dele a possibilidade de avançar e prende as peças brancas na tarefa de tomar conta de uma peça que não anda.

Daí sai a regra prática que separa os dois jogos. Quem tem o peão isolado evita troca de peças e procura ataque no rei; quem joga contra ele troca tudo que puder e leva a partida para o final. O tabuleiro é o mesmo, e o resultado depende de quantas peças sobraram na hora em que a conta é feita.

O diagrama de hoje mostra a posição no primeiro dos dois jogos, com as peças ainda todas em campo e a casa e5 livre.

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I  A Posição do Dia

Peão branco sozinho em d4 e o cavalo mirando e5

No tabuleiro há vinte e seis peças. Rei branco em g1, dama em d3, torres em d1 e e1, cavalo em f3, bispo em b3, peões em a2, b2, d4, f2, g2 e h2. Rei preto em g8, dama em d6, torres em a8 e f8, cavalo em f6, bispo em e7, peões em a7, b7, e6, f7, g7 e h7. As brancas jogam.

Repare no que falta antes de olhar para o que existe. As brancas não têm peão em c nem em e, e as pretas não têm peão em c nem em d. O peão branco de d4 é o único peão do centro, e as duas colunas vazias ao lado dele estão ocupadas pelas torres brancas em d1 e e1.

A casa e5 é o prêmio da posição. Ela é atacada pelo peão de d4 e nenhum peão preto consegue disputá-la, porque o peão de d que faria o serviço saiu do tabuleiro na abertura e o de f7 abriria a frente do próprio rei para tentar.

A jogada natural é 1.Ce5. O cavalo pula para a casa protegida, ataca de lá as casas d7, f7, g6 e c6, e sai do caminho da dama branca, que passa a enxergar a diagonal de b1 até h7 assim que o bispo de b3 muda de linha.

Um cavalo instalado em e5 numa posição de peão isolado não pode ser expulso por peão nenhum, e é essa impossibilidade, não a força da peça, que sustenta o ataque das brancas.

As pretas respondem 1...Cd5, o lance de bloqueio. O cavalo ocupa a casa à frente do peão isolado, corta o avanço de d4 para d5 e ainda ataca o bispo de b3 pela diagonal, o que obriga as brancas a gastarem um tempo com a peça.

A partir daí o plano branco é de ataque direto, com o bispo de dama saindo para g5 ou f4, a torre de e1 subindo para e3 e de lá para g3 ou h3, e a dama procurando a casa h7. Nenhuma dessas peças toma conta do peão isolado, e nenhuma precisa: enquanto as pretas defendem o próprio rei, ninguém sobra para atacar d4.

Vale montar as vinte e seis peças e jogar dez lances com cada lado. O peão de d4 nunca é capturado nessa fase da partida, e a impressão que fica é a de que ele é uma vantagem, não uma fraqueza.

 
 

II  O Erro Mais Jogado

Trocar peças com o peão isolado no tabuleiro

O erro mais jogado é aceitar troca de peças com o peão isolado no tabuleiro: as brancas trocam damas para tirar o próprio rei de perigo, respiram por dois lances e descobrem que entregaram exatamente o final em que o peão de d4 não tem quem o defenda.

A troca é tolerável em um caso apenas: quando o peão isolado consegue avançar para d5 no mesmo pacote de lances, porque o peão que avança deixa de ser alvo parado e passa a atacar, e a fraqueza vira peão passado no meio do tabuleiro.

A ORDEM QUE EVITA O ERRO

1. Conte as peças menores de cada lado antes de aceitar qualquer troca. Com duas peças menores por lado ainda vivas, o ataque das brancas tem material; com uma só, a posição já é final e o peão precisa de defensor permanente.

2. Verifique se a casa de bloqueio à frente do peão está ocupada por peça do adversário. Cavalo preto firme em d5 é o sinal de que o avanço de d4 para d5 morreu, e sem esse avanço a troca de damas entrega o final ruim sem contrapartida.

3. Confira quantos lances o rei do adversário leva para chegar a uma casa vizinha do peão. Rei preto em g8 a caminho de e6 gasta três lances num tabuleiro vazio, e três lances é menos do que qualquer plano de ataque com peças a menos.

A segunda versão do erro acontece do outro lado. O jogador que enfrenta o peão isolado costuma atacá-lo cedo demais, empilhando torre e dama na coluna d enquanto o adversário ainda tem peças de ataque, e essas duas peças pesadas presas na defesa do bloqueio deixam o próprio rei com um defensor a menos.

A terceira versão é de leitura da vantagem. Quem enxerga o peão isolado apenas como fraqueza joga para ganhá-lo, e a captura custa dois ou três lances em que o adversário organiza mate no flanco do rei. O peão vale o que o tabuleiro ao redor dele permite, e essa medida muda a cada troca.

O antídoto cabe numa pergunta feita antes de qualquer captura, com o relógio ainda folgado: quantas peças menores sobram em cada lado depois desta troca. Quem responde com um número igual ou menor que um está entrando no final, e no final o peão isolado é sempre pior.

 

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III  O Padrão que Se Repete

O peão que muda de lado conforme o tabuleiro esvazia

Este peão pertence a uma família de fraquezas que só existem em determinado estágio da partida. Ele não é bom nem ruim por natureza: ele é bom enquanto sustenta casas para peças que atacam e ruim quando as peças que ele sustentava já saíram do tabuleiro.

"O peão isolado da dama é dinâmico no meio-jogo e estático no final; bloqueá-lo é transformar a primeira condição na segunda."

Aron Nimzowitsch, Mein System, 1925.

A frase de Nimzowitsch entrega o mecanismo inteiro. O bloqueio não captura o peão, apenas o congela, e um peão congelado deixa de ser espaço e passa a ser objeto de defesa. Quem bloqueia primeiro decide em qual dos dois jogos a partida vai ser disputada.

A estrutura se reconhece por três sinais.

1. Um peão do centro sem vizinho nas colunas laterais, com duas colunas abertas ao lado dele. Essa configuração aparece sozinha depois de capturas na abertura, sem que ninguém a construa de propósito, e nasce em aberturas tão diferentes quanto a Caro-Kann e a Nimzo-Índia.

2. Uma casa avançada à frente e ao lado do peão que nenhum peão adversário alcança. Nesta posição são c5 e e5, e quem ocupa uma delas com um cavalo trabalha o resto da partida sem precisar recuar.

3. Uma casa de bloqueio imediatamente à frente do peão, na cor que o peão não controla. É d5 aqui, e quem coloca um cavalo nela troca a natureza do peão sem capturar nada.

Do lado da defesa, a leitura vira um lance concreto e barato. Quem enfrenta o peão isolado leva o cavalo para a casa de bloqueio antes de qualquer plano ambicioso, mesmo gastando dois tempos, porque o bloqueio é o que desliga o ataque na origem.

Existe uma extensão do padrão que aparece com dois peões. O par de peões pendentes em c4 e d4 tem a mesma dupla natureza, com uma diferença de tempo: ele decide na hora em que um dos dois avança, e a decisão de avançar não tem volta. Quem entende o peão isolado sozinho entende o par pendente.

E se o peão que você chamou de fraqueza estiver segurando as duas casas de onde vem o ataque?

Confira na sua próxima partida com peão isolado no centro:
quantas peças menores sobram em cada lado depois da troca que você vai fazer;
se a casa imediatamente à frente do peão isolado tem uma peça sua parada nela;
quantos lances o rei do adversário gasta até uma casa vizinha do peão.

 
 

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Quiz da edição

No diagrama de hoje, qual lance as brancas jogam para ocupar a casa e5 com o cavalo?

A1.Bg5, saindo com o bispo da dama
B1.Ce5, o cavalo saltando para a casa protegida
C1.Te3, subindo a torre pela coluna e
D1.Dh7, a dama indo direto para o flanco do rei

Veja o ranking de quem mais acerta 

 
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