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O bispo que nunca pisa na casa da coroação
Com peão de torre e bispo da cor oposta à casa de promoção, o rei defensor senta no canto e a peça a mais vira enfeite.
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Rei preto em h8, peão em h5, pretas jogam
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Z ero em 32. O tabuleiro tem 32 casas escuras, e um bispo que nasceu nas casas claras nunca pousa em nenhuma delas, nem em trinta lances, nem em trezentos. A conta parece trivial e vira sentença quando a casa de coroação do seu último peão está entre as 32 proibidas: o bispo passa a partida inteira a olhar para o canto do tabuleiro sem poder tocá-lo. O material engana o placar. Rei, bispo e peão contra rei sozinho aparece na tela como vantagem folgada, quatro pontos de diferença, e qualquer contagem de peças aponta vitória. O tabuleiro discorda em uma configuração específica, e ela aparece com frequência incômoda nos finais de partida rápida. A configuração exige três ingredientes juntos. O peão precisa estar na coluna da torre, a ou h. A casa de coroação precisa ser da cor que o bispo não controla. E o rei defensor precisa chegar ao canto antes do rei atacante fechar a porta. Faltando qualquer um dos três, o final ganha normalmente. Com os três presentes, o rei defensor entra no canto e senta. Nada o tira dali: o bispo não ataca a casa em que ele está, o peão sozinho não expulsa ninguém, e toda tentativa de aproximação do rei atacante termina em rei afogado ou em peão bloqueado sem chance de avanço. A partida acaba dividida com uma peça inteira de vantagem no tabuleiro. O que torna a posição cruel é a vizinhança. Empurre a mesma estrutura uma coluna para dentro, troque o peão de torre por um peão de cavalo, e a vitória sai em poucos lances sem nenhuma sutileza, porque o rei defensor perde o refúgio e passa a ter casa de fuga por onde ser empurrado. O diagrama de hoje mostra a versão empatada com quatro peças no tabuleiro e o pretas a jogar, e a manobra que o lado forte tenta cinco vezes antes de aceitar o meio ponto. Continue lendo ↓
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I A Posição do Dia
Rei preto em h8 e um bispo que olha de longe
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No diagrama há quatro peças. Rei branco em f6, bispo branco em d3, peão branco em h5. Rei preto em h8, e as pretas jogam. Nenhuma captura está disponível, nenhum xeque existe na posição, e o peão de h5 está a três casas da coroação.
O bispo de d3 anda pelas casas claras. A diagonal dele passa por e4, f5, g6 e termina em h7. A casa h8, onde o peão vai coroar, é escura, e o bispo jamais poderá atacá-la, defendê-la ou disputar a entrada do rei preto ali.
O rei preto se aproveita da geometria com um plano de duas casas. Ele fica indo de h8 para h7 e de h7 para h8, e nunca sai da coluna h. Quando o peão branco chegar a h7, o rei preto vai estar em h8, e a coroação exige uma casa que o próprio peão bloqueia.
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As pretas empatam com qualquer lance que mantenha o rei na coluna h. Sair para g7 na hora errada entrega a partida, e nenhum outro lance perde.
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A linha que prova o empate: 1...Rh7 2.Rf7 Rh8 3.Rg6 Rg8 4.h6 Rh8 5.h7, e o rei preto fica sem lance legal. A casa g7 encosta no rei branco de g6, a casa g8 está atacada pelo próprio peão de h7, e h7 está ocupada. Rei afogado, meio ponto para cada lado.
Trocar a ordem dos lances não muda o desfecho. Com o peão parado em h6 e o rei branco tentando g6, o rei preto responde h8 e espera; com o rei branco em f7, o preto ocupa h7 e o peão não avança sem se perder. O bispo pode dar quantos xeques quiser pelas casas claras, e nenhum deles alcança o canto escuro.
O detalhe geométrico decide tudo. O rei defensor precisa apenas alcançar h8 ou g8 antes do cerco fechar, e a distância dele até lá costuma ser curta porque o canto atrai o rei em fuga naturalmente.
Mude a coluna do peão e o quadro se inverte por inteiro. Com o peão em g5 no lugar de h5, a casa de coroação passa a ser g8, que é clara, o bispo de d3 a controla, e o rei preto perde o abrigo do canto em poucos lances.
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II O Erro Mais Jogado
Trocar peças até sobrar o bispo inútil
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O erro mais jogado acontece vinte lances antes do diagrama: o jogador com vantagem simplifica sem olhar a cor da casa de coroação, e entrega a própria vitória numa troca que parecia excelente.
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A cena típica tem o lado forte com bispo e dois peões contra bispo e um peão. Ele troca os bispos, troca os últimos peões do centro, e chega a um final que a contagem de material aprova e o tabuleiro recusa. Sobra o peão da coluna h e um bispo da cor oposta ao canto.
A ORDEM QUE EVITA O ERRO
1. Olhe a cor da casa de coroação do peão que vai sobrar. Peão em h coroa em h8 quando você joga de brancas, casa escura; peão em a coroa em a8, casa clara. A cor do seu bispo precisa bater com essa casa.
2. Faça a conta antes de aceitar qualquer troca no final. Se a simplificação deixa você com peão de torre e o bispo da cor errada, a troca vale meio ponto, e recusar custa apenas continuar jogando a posição complicada.
3. Se já está com o bispo errado, gaste material para mudar a coluna do peão. Devolver o bispo por um peão que abre a coluna g é negócio bom quando a alternativa é o empate garantido.
A segunda versão do erro aparece no lado da defesa, e é mais cara ainda. O defensor enxerga o final perdido, entrega o próprio bispo por qualquer peão e não repara que a troca dele deixa o adversário justamente com o bispo certo. Uma escolha de captura decide entre resistência e derrota.
A terceira versão é de relógio e de cabeça. O lado forte já enxergou o empate, continua tentando por vinte lances, o adversário começa a jogar rápido porque não tem nada a perder, e a frustração empurra o forte para um erro que transforma o meio ponto em derrota. Aceitar a divisão de ponto na hora certa preserva o resultado.
O antídoto cabe numa pergunta feita ainda no meio-jogo, antes da primeira troca de peças menores: se sobrar só o meu peão mais afastado, qual a cor da casa em que ele coroa. Quem responde antes de trocar não chega ao diagrama de hoje pelo lado errado.
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