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Glasgow, 1895. Georges Emile Barbier, enxadrista francês radicado na Escócia, mantinha a coluna de xadrez do jornal Glasgow Weekly Citizen. Numa das edições, ele publicou uma posição de final que tinha visto numa partida entre Richard Fenton e William Potter, jogada duas décadas antes.
O desenho é de uma pobreza quase provocadora. As brancas têm rei e um peão passado na coluna c. As pretas têm rei e uma torre. Nada mais. Oito casas ocupadas por quatro peças no total, e o resto do tabuleiro vazio.
O rei preto está em a1, no canto, longe de tudo. A torre preta patrulha a coluna d, exatamente na frente do peão branco, que já está a dois passos da promoção. O rei branco acompanha o peão de perto, porque sozinho o peão não chega.
1.c7 Td6+. A torre preta começa a série de xeques laterais, a defesa clássica contra peão passado avançado. Cada xeque força o rei branco a andar, e cada lance que o rei branco gasta com o próprio xeque é um lance que ele não gasta empurrando o peão.
2.Rb5 Td5+ 3.Rb4 Td4+ 4.Rb3 Td3+. O rei branco desce a coluna b degrau por degrau, sempre encostando na torre para tirar espaço dela, e a torre desce junto. Quatro xeques, quatro recuos, e o peão continua em c7 esperando a hora.
5.Rc2. O rei branco entra na casa de proteção. Da casa c2 ele cobre a coluna c, protege a promoção e tira a torre da vida, porque o próximo xeque lateral não existe mais: em d2 a torre seria simplesmente capturada.
5...Td4. O lance que fez Barbier fechar a análise. A torre preta se planta em d4 e não faz mais xeque nenhum, porque a ideia não é dar xeque, é preparar a entrega. Se o peão promover na dama, vem 6...Tc4+, oferecendo a torre na casa onde a captura é obrigatória.
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Vale seguir a linha até o fim para ver o tamanho do problema. Depois de 6.c8=D Tc4+ 7.Dxc4, o tabuleiro fica com rei e dama brancos contra o rei preto de a1, que não está em xeque e não tem uma casa livre para ir. Afogamento, empate, e a dama recém nascida vira decoração.
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Barbier publicou a posição como empate, e por algumas semanas ela circulou assim entre os leitores da coluna. Foi quando chegou a carta de Fernando Saavedra, um padre espanhol que morava em Glasgow e jogava no clube local sem nenhuma reputação de analista.
6.c8=T. O peão promove em torre, e não em dama. A escolha entrega cinco pontos onde cabiam nove, e é ela que ganha a partida, porque a torre nova ameaça 7.Ta8 mate na coluna a e não tira do rei preto a casa que o afogamento exigia.
6...Ta4. As pretas cobrem a coluna a com a própria torre, único jeito de impedir o mate imediato, e agora a torre preta está exposta na quarta fileira, sem apoio de ninguém.
7.Rb3. O rei branco dá o lance duplo. Ele ataca a torre de a4 e ameaça 8.Tc1 mate ao mesmo tempo. Salvar a torre custa o mate, parar o mate custa a torre, e não existe lance que faça as duas coisas. As brancas ganham.
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