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Zurique, 1953, segunda rodada do torneio de candidatos. Samuel Reshevsky, o americano mais forte da época, com as brancas. Tigran Petrosian, armênio de vinte e quatro anos na estreia em torneio dessa altura, com as pretas.
A abertura é uma Defesa Nimzo-Índia comum: 1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4 4.e3 O-O 5.Bd3 d5 6.Cf3 c5 7.O-O Cc6 8.a3 Bxc3 9.bxc3 b6 10.cxd5 exd5 11.Bb2 c4 12.Bc2 Bg4.
As pretas entregam o par de bispos no lance oito e travam o flanco da dama com o peão em c4. As brancas ficam com peões dobrados em c3 e c2 e com um plano claro: empurrar o centro com e3 e e4.
13.De1 Ce4 14.Cd2 Cxd2 15.Dxd2 Bh5 16.f3 Bg6 17.e4 Dd7 18.Tae1 dxe4 19.fxe4 Tfe8 20.Df4 b5 21.Bd1 Te7 22.Bg4. O bispo branco chega em g4 e mira f5, bem em cima da coluna que as pretas acabaram de ocupar.
22...De8 23.e5 a5 24.Te3 Td8 25.Tfe1. O quadro está montado. Peão branco em e5 cortando o tabuleiro, duas torres brancas empilhadas na coluna e, bispo em g4 pressionando, dama em f4 apontando para o rei preto.
As pretas têm torre em e7, torre em d8, dama em e8 e cavalo em c6, todas ocupadas em segurar a mesma coluna. É a posição em que quase todo jogador procura um lance de defesa passiva e reza para o ataque passar.
25...Te6. A torre anda uma casa para frente e para bem na frente do bispo branco de g4, sem apoio nenhum de peão, sem xeque, sem ameaça nenhuma no ar.
O lance oferece a qualidade de graça, e ninguém no salão entendeu na hora. A torre pode ser capturada pelo bispo no lance seguinte, e nada obriga as brancas a aceitar ou recusar em nenhum momento.
26.a4. Reshevsky não aceita. Prefere abrir uma frente no flanco da dama, e a posição já começa a trabalhar contra ele.
26...Ce7. O cavalo preto sai de c6 e vai para e7, com um destino só na cabeça: a casa d5, que nenhum peão branco consegue mais atacar, porque os peões c e e já passaram.
27.Bxe6 fxe6. A captura finalmente vem, e o peão preto de f7 recaptura chegando em e6. O bispo branco que dominava a diagonal sai do tabuleiro, e a casa que ele ocupava vira um peão preto encravado.
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A torre valia cinco na tabela. O que ficou no lugar dela foi um peão em e6 que fecha a diagonal, protege d5 e apaga o ataque branco inteiro.
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28.Df1 Cd5 29.Tf3 Bd3. O cavalo preto pousa em d5, exatamente onde o plano previa. O bispo preto entra em d3 e obriga a torre branca a se desfazer para não perder mais tempo.
30.Txd3 cxd3 31.Dxd3 b4 32.cxb4 axb4 33.a5 Ta8 34.Ta1 Dc6. As pretas devolvem parte do material e ficam com um peão passado correndo pela coluna b, enquanto o cavalo de d5 continua imóvel e intocável.
35.Bc1 Dc7 36.a6 Db6 37.Bd2 b3 38.Dc4 h6 39.h3 b2 40.Tb1 Rh8 41.Be1. Empate acordado no lance quarenta e um, com o peão preto parado em b2 e nenhum dos dois lados conseguindo forçar mais nada.
O placar final diz meio ponto para cada um. O que a partida registrou foi um jogador com a qualidade a menos e sem perigo nenhum depois do lance vinte e cinco.
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