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A dama que perde meio ponto para o peão de bispo
Contra peão na sétima, a dama vence em quatro colunas e divide o ponto nas outras quatro, e o rei afogado explica a conta.
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Peão branco em c7, dama preta em e5
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Q uatro em oito. É a fração das colunas do tabuleiro em que a dama derruba sozinha um peão que já chegou à sétima casa, com o rei atacante ainda longe demais para ajudar. Nas outras quatro colunas o peão sobrevive, coroa ou força a divisão do ponto, e quem descobre a fração no meio da partida costuma descobrir tarde. A conta não é opinião nem estimativa. As colunas b, d, e e g entregam a vitória por um mecanismo repetitivo de xeques. As colunas a, c, f e h resistem, e resistem por dois motivos diferentes, um deles bem mais elegante do que o outro. O mecanismo que ganha funciona assim. A dama se aproxima em zigue-zague, dá xeques que obrigam o rei defensor a ficar na frente do próprio peão, e cada vez que o peão fica travado por um lance, o rei atacante anda uma casa. Repetido cinco ou seis vezes, o método traz o rei de qualquer distância e a captura acontece sem drama. O truque de defesa quebra justamente o passo em que o rei defensor deveria ficar preso na frente do peão. Com peão nas colunas de bispo, o rei defensor tem um canto disponível ao lado do peão, entra nele, e a única casa que a dama tem para completar o cerco produz rei afogado. O lado forte enxerga a vitória a um lance de distância e nunca alcança. Com peão de torre, a defesa usa outro recurso: o rei corre para o canto do tabuleiro, e a dama que se aproxima demais também produz afogamento imediato. Duas colunas de bispo e duas de torre fecham as quatro que empatam. Ninguém precisa decorar as oito colunas. Basta olhar a letra da coluna assim que o peão passa da quinta casa, porque a resposta muda tudo o que vem depois: em quatro delas a corrida vale a pena e em quatro delas vale mais tentar ganhar o peão antes. O diagrama de hoje mostra a versão mais limpa da defesa, com peão em c7 e o rei defensor a uma casa do abrigo. Continue lendo ↓
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I A Posição do Dia
Peão em c7 e a dama a um lance da armadilha
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No tabuleiro há quatro peças. Rei branco em b7, peão branco em c7, rei preto em h4, dama preta em e5. As pretas jogam. O rei preto está a seis casas do peão, distância grande demais para participar dos próximos cinco lances.
A dama sozinha derruba peão na sétima quando consegue prender o rei defensor à frente da própria peça. O procedimento é conhecido: xeque na diagonal, xeque na coluna, o rei defensor recua para a casa de promoção, o peão fica congelado por um lance, e o rei preto avança uma casa. Depois repete.
Contra peão de bispo o procedimento trava no primeiro ciclo. As pretas jogam 1...Dd6, que é o lance certo pela ideia, atacando o peão e cortando o rei branco. A resposta 2.Rb8 parece entregar tudo, porque o rei se enfia atrás do peão e não tem para onde ir.
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Capturar o peão em c7 nesse instante devolve meio ponto: o rei branco fica sem lance legal e a partida termina em rei afogado.
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A geometria da coluna vizinha explica o recurso. Com o rei branco em b8 e o peão em c7, o rei tem a8 como casa livre. Depois de 2...Db6+ 3.Ra8, a posição fica travada em definitivo: capturar o peão afoga, e qualquer lance que solte o rei branco permite 4.Rb7 com a coroação de volta na mesa.
A dama pode tentar o cerco pela outra diagonal, ganhar acesso a d8, insistir com xeques na oitava fileira. Nenhuma tentativa produz a captura, porque c8, a casa de bloqueio que resolveria o cerco, não pode ser ocupada pela dama sem tirar o último lance legal do adversário.
Repare no que a defesa exige do lado fraco. Ele precisa apenas jogar Rb8, e não o natural Rb6 ou Rc6, e precisa fazer isso no lance exato em que a dama chega. Um passo fora do canto e o método padrão volta a funcionar em cinco lances.
Mude a coluna e o quadro se inverte por inteiro. Com o mesmo peão em d7 e o rei branco em c7, o rei defensor não tem canto ao lado: as casas de fuga ficam em campo aberto, o afogamento não existe, e a dama prende o rei em d8 quantas vezes precisar até o rei preto chegar caminhando.
Vale conferir a posição no tabuleiro antes de aceitar a explicação. Coloque as quatro peças, tente ganhar com as pretas, e a sensação de vitória a um lance de distância vai aparecer nas duas primeiras tentativas.
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II O Erro Mais Jogado
Correr atrás do peão sem olhar a letra da coluna
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O erro mais jogado começa quinze lances antes: o lado com a dama entra numa linha forçada que troca todo o resto do material, calculando que a dama sozinha derruba o peão, sem verificar em qual coluna o peão está.
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A cena típica aparece em final de torres com peões passados dos dois lados. O jogador enxerga a sequência que ganha a torre adversária e chega a dama contra peão avançado. Se o peão sobrevivente for de bispo ou de torre, a linha calculada valia meio ponto e não o ponto inteiro.
A ORDEM QUE EVITA O ERRO
1. Leia a letra da coluna do peão adversário antes de entrar na linha forçada. Colunas b, d, e e g ganham pelo método de xeques. Colunas a, c, f e h têm recurso de afogamento e não ganham sem a ajuda do rei.
2. Meça a distância do seu rei até o peão em número de lances. O empate das quatro colunas difíceis só existe enquanto o rei atacante está longe. Com o rei a três lances da região do peão, o afogamento deixa de funcionar e a vitória volta.
3. Se a coluna for ruim e o seu rei estiver longe, procure ganhar o peão antes da promoção, mesmo devolvendo material. Uma torre entregue para eliminar o peão de c vale mais do que a dama que chega tarde.
A segunda versão do erro acontece no lado da defesa e custa a partida inteira. O defensor com peão em c6 empurra para c7 achando que avançar sempre ajuda, quando manter o peão em c6 por mais um lance mudava a posição do rei e mantinha o abrigo. Peão que avança cedo demais perde o recurso de afogamento.
A terceira versão é de relógio. O lado forte descobre o empate, aceita o meio ponto na cabeça e para de jogar com cuidado, e a posição empatada vira derrota porque o peão coroa numa distração de trinta segundos. Empate reconhecido ainda exige lances precisos até a assinatura.
O antídoto cabe numa pergunta única, feita ainda no meio-jogo, antes da simplificação grande: se sobrar dama contra o peão passado dele, em que coluna esse peão está. Quem responde antes de entrar na linha não chega ao diagrama de hoje pelo lado errado.
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